Existe algo quase mágico em ligar um pequeno console portátil moderno e, poucos segundos depois, ouvir o som de abertura do Super Nintendo, iniciar uma partida de Sonic, revisitar Final Fight ou explorar um RPG perdido do Game Boy Advance como se estivéssemos novamente no início dos anos 2000. Isso sem falar dos clássicos dos fliperamas da Capcom e NeoGeo. Esse é o console portátil R36S!
O universo da emulação evoluiu muito nos últimos anos. Antigamente era preciso configurar emuladores complicados no computador, procurar BIOS pela internet, ajustar plugins de vídeo e rezar para o controle funcionar corretamente. Hoje, cabe literalmente no bolso uma biblioteca inteira da história dos videogames.
E é justamente aí que entra o R36S.
Nos últimos meses, esse pequeno portátil virou um dos aparelhos mais comentados entre fãs de retrogames e colecionadores. O motivo é simples: ele entrega uma experiência extremamente competente por um preço relativamente acessível.
Uma pessoa da minha família comprou um e veio me mostrar. Dei uma boa olhada e fiquei surpreso com o sistema multijogos. Quando vi que era quase um Batocera dentro do portátil e o quanto rodava bem eu fui convencido. Era muita máquina por um preço bem em conta. Não deu outra, comprei um pra mim.
Escolhi a versão branca, que lembra bastante os antigos portáteis da Nintendo, especialmente o clássico Game Boy. O visual mistura simplicidade, nostalgia e aquela aparência de “videogame raiz” que conversa diretamente com quem cresceu entre locadoras, revistas de games e tardes inteiras tentando zerar jogos alugados no fim de semana.
Um pequeno console com cara de gigante
Apesar do tamanho compacto, o R36S surpreende logo nas primeiras impressões. Dentro da caixa, além do portátil, vêm alguns itens básicos:
- cabo USB-C para carregamento,
- manual,
- película protetora,
- e o cartão SD com sistema e jogos instalados.
O console possui versões em diferentes cores, incluindo transparente, azul e branca. Particularmente, achei a versão branca muito bonita justamente por remeter aos portáteis clássicos dos anos 90.
Um ponto crucial para minha decisão de compra foi a possibilidade de customização do sistema. Por ser de código aberto dá pra alterar a biblioteca de jogos, trocar temas do sistema, e até baixar e instalar tudo do zero caso seja necessário. Como eu gosto muito de “mexer” em tudo, achei isso muito bom. Inclusive o meu não veio com jogos do Atari, então peguei minha biblioteca do Atari 2600 do meu Retrobat e coloquei lá. Muito simples e rápido.

A construção é simples, mas bastante honesta pelo valor cobrado. Os botões possuem boa resposta e os gatilhos traseiros (L1, L2, R1 e R2) ajudam bastante nos jogos de PlayStation e Nintendo 64. Aqui vale um parêntese, PS1 e PSP rodam lisinho. Os títulos que experimentei apresentaram ótimo desempenho, sem travamentos ou lentidão perceptível.
A tela IPS também merece destaque. Mesmo sendo relativamente pequena, ela entrega cores fortes, boa nitidez e um brilho muito agradável para jogos retrô. Sprites de Mega Drive, Super Nintendo e Game Boy Advance ficam excelentes nela.
Uma biblioteca inteira no bolso
O grande charme do R36S é justamente sua capacidade de emular várias gerações diferentes de videogames. E aqui ele surpreende bastante.
Os sistemas 8 e 16 bits funcionam praticamente sem problemas:
- Atari 2600,
- Master System,
- Mega Drive,
- Nintendinho,
- Super Nintendo,
- Neo Geo,
- Game Boy,
- Game Boy Advance…
Tudo roda muito bem.
Os jogos de PlayStation 1 também funcionam de maneira bastante competente na maioria dos casos. Alguns títulos do Nintendo 64 apresentam desempenho muito bom, especialmente considerando o preço do aparelho.

E como nem tudo são flores, claro que o R36S tem seus limites. O Dreamcast e alguns jogos mais pesados de Nintendo 64, por exemplo, já exigem mais do hardware. Alguns jogos apresentam lentidão, falhas em vídeos e pequenos travamentos. Não chega a ser injogável em todos os casos, mas é importante ter expectativas realistas. E sinceramente? Pelo valor do aparelho, é difícil reclamar.
O verdadeiro poder do R36S: a customização
Aqui está, na minha opinião, o maior diferencial do portátil.
O R36S é baseado em sistemas Open Source e utiliza o RetroArch como base. Isso significa que ele oferece um nível enorme de personalização para quem gosta de organizar sua coleção digital.
E foi exatamente isso que mais me divertiu nele.
Uma das primeiras recomendações que encontrei foi substituir os cartões SD originais por modelos de melhor qualidade. Apesar de ainda não ter feito isso, tenho noção de que realmente faz diferença essa troca.
O recomendado é:
- um cartão apenas para o sistema,
- e outro exclusivamente para as ROMs e arquivos dos jogos.
Além de aumentar a segurança dos dados, isso facilita muito a organização.
Comecei então a remover jogos que não me interessavam e adicionar alguns favoritos pessoais. Tem sido quase como montar minha própria locadora portátil particular.
Final Fight, Sonic, alguns RPGs obscuros de GBA, jogos de luta esquecidos do Neo Geo… tudo separado do meu jeito.

E o mais interessante é que fazer isso é extremamente simples. Basta conectar o cartão ao computador e organizar as pastas normalmente. Para quem gosta de colecionismo e curadoria retrô, isso vira praticamente um hobby dentro do hobby.
Jogando no dia a dia
A bateria do R36S entrega algo entre 5 e 6 horas de jogo contínuo, dependendo do brilho da tela e do sistema emulado. Na prática, isso é mais do que suficiente para viagens, intervalos ou aquelas sessões rápidas no sofá antes de dormir.
A ergonomia é razoável, especialmente considerando o tamanho compacto do aparelho. Depois de sessões muito longas, principalmente em jogos que exigem leitura constante, existe um pequeno cansaço visual. Acho que isso vai pesar mais para o público mais velho que passou décadas encarando televisões de tubo e monitores CRT. Mesmo assim, continuo achando a experiência muito mais agradável do que jogar no celular usando controles improvisados e notificações interrompendo a partida o tempo inteiro.
O R36S parece realmente um videogame dedicado. E isso faz muita diferença.
Vale a pena em 2026?
Hoje o R36S pode ser encontrado normalmente na faixa entre R$ 180 e R$ 250, dependendo da loja, acessórios e cartões inclusos. E honestamente? Dentro dessa faixa de preço, ele provavelmente é um dos consoles portáteis retrô com melhor custo-benefício atualmente.
Obviamente ele não substitui hardware original para colecionadores mais puristas. Também não é um portátil perfeito capaz de rodar tudo impecavelmente. Mas não é essa a proposta dele.
O R36S funciona como uma pequena máquina do tempo portátil. Um aparelho simples, acessível e extremamente divertido para revisitar clássicos da história dos videogames sem complicação.
E talvez esse seja justamente o maior mérito dele.
E assim a gente conclui...
No fim das contas, o R36S não é apenas um console portátil barato. Ele é um fliperama de bolso e é assim que eu o vejo.
Uma pequena cápsula carregada de memória afetiva, sprites pixelados, trilhas sonoras MIDI e tardes inteiras da infância armazenadas em um aparelho que cabe na palma da mão.

Se você gosta de retrogames, emulação e daquela sensação de revisitar clássicos quase esquecidos da infância, o R36S certamente merece atenção.
E caso queira ver o portátil funcionando na prática, mostrando menus, desempenho e alguns jogos rodando, deixei aqui abaixo o vídeo completo no canal HQ Pixel.
Aproveita também para comentar:
qual seria o primeiro jogo retrô que você instalaria nele?
Spoiler dos próximos posts…
E falando em Game Boy Advance…
Nos próximos dias quero trazer uma pequena crônica sobre um curioso jogo de One Piece que descobri no R36S. Um daqueles títulos esquecidos que parecem saídos diretamente de uma locadora de bairro dos anos 2000… 🎮🏴☠️

